
Length5h 10m
About this audiobook
Há muito tempo uma guerra se iniciou além do Grande Vale em um lugar chamado Noçoquém, um jardim celestial em uma era em que deuses, homens, entes e animais do poder caminhavam lado a lado em perfeita harmonia com a Mãe-Terra. Neste tempo, o plano terrenal era governado pelos deuses que habitavam o Guajupiá, a Casa do Céu ou Oca Celeste, formada por um panteão de divindades e presidida por Tupã, senhor dos raios e dos trovões. Por traição e desobediência, muitos destes deuses, lideradas por Anhangá irmão de Tupã, se rebelaram contra a sua autoridade e com ele se confrontaram, sendo vencidos, banidos e precipitados do alto nas profundezas da terra, em um lugar sombrio posteriormente denominado de Andirá-açu ou terra do grande morcego, a Casa do Fogo e da Escuridão, um mundo subterrâneo além do paraíso celeste e do jardim terrenal. Este fato ficou eternamente conhecido como "A Queda". Para Anhangá, seu maior pecado foi apaixonar-se por Naruna, a bela índia levada do Noçoquém pelo poderoso regente para ser sua esposa. Mergulhado no mais profundo ódio, derrotado e humilhado perante o panteão dos deuses irmãos, Anhangá jurou vingança e reuniu um grandioso exército liderado por ele e por outros deuses caídos, criaturas impiedosas e bestiais como Muragueguana, Bahíra e Tandavu o Malvado. Para obter sucesso, deveriam capturar uma chave mística, o Coração da Terra chamado de muiraquiitã-piranga, presente dado por Tupã aos homens e que, entre outros poderes, possui o de abrir o Portal do Arco-Íris, ponte que interligava o Andirá-açu (O Submundo), O Grande Vale (A Casa da Terra), O Noçoquém (O Jardim Celeste) e o Guajupiá (A Casa do Céu), os quatro planos do universo. Seu maior objetivo era destronar o irmão, tomar o poder de governo do universo para vingar-se dos homens e das criaturas criadas por Tupã no seu jardim, o Noçoquém. Á harmonia que reinava por infindáveis eras fora quebrada. O Noçoquém mergulhado em sangue e fogo. Com isso, outro exército foi reunido para impedir o avanço das hordas de Anhangá. Formado por milhares de guerreiros de diversos povos indígenas, entes protetores e animais do poder, formou-se então à resistência denominada de Aliança Shabono. Assim, surgiu a lenda de Rairú, o bravo e jovem guerreiro mundurucu pertencente ao temido clã paikicé que levou a Aliança Shabono a vitória final, aprisionando o deus-negro e seu exército pelo laço mágico da Mãe-Terra. Mais isso não foi por muito tempo. Motivado pela cobiça humana frente ao consumo desmedido dos bens da floresta de onde provém seu poder, a Mãe-Terra foi perdendo seu laço mágico que os aprisionava e enfraqueceu-se libertando Anhangá e seu exército novamente. Não é à toa que a desordem climática e a violência avançam a cada dia no mundo atual também reflexo e fruto da influência maléfica do deus caído. Nossa saga contará sobre o retorno de Rairú e a nova formação da Aliança Shabono. De um mundo de magia, batalhas, disciplina e amor à floresta. Um universo fechado aos olhos do homem que ao longo do tempo perdeu seu elo com a natureza, motivado pelo desejo desmedido do lucro e impulsionado pelo avanço de um progresso questionável. Muito mais que uma ficção, "Rairú e Batalha do Tepequém" é um mergulho na mitologia e no conhecimento dos diversos povos amazônicos, um resgate da história cultura dos povos da floresta e um convite a uma vida mais harmônica com a Mãe-Terra. Seja bem-vindo!
Audiobook details
GenreChildren's Literature, Literary Classics
Length5 hrs 10 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateSep 14, 2016
LanguagePortuguese
Table of contents
1Texto:
2terra.
3Shabono.
4Com esta criação veio à sabedoria, pois o novo paraíso possuía infindáveis
5A QUEDA
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6antes.
7Por
8Realmente há algo de errado, muito errado mesmo.
9urgência. Devemos nos apressar ao máximo”.
10Agora, para que saibamos quais passos devemos dar, iremos consultar o Oráculo
11A floresta parecia crescida ainda mais com vegetação imponente, folhas e flores
12Mas Sanumá permaneceu calado, solitário, algo revelado pelo Oráculo das Árvores
13De primeira veio o enjoo seguido da queimação no estômago, depois tudo
14para aquela gente parecia irreal.
15resistência.
16raio anunciando que ali era o ponto final de agrupamento.
17tudo.
18tremer!
19montado em Juma rosnando e vociferando como nunca.
20Mas porque iriam querer Sanumá se o Portal ainda estava aberto? Perguntavam-
21profundezas da terra de volta aos domínios de Anhangá.
22outro deus que ti tenha ofendido”.
23“Meu filho, você tem uma visita especial”, “Quem é?”, perguntei-lhe. “Veja você
24mesmo”.
25floresta. Os espíritos da floresta (Nheengatú)
26(Tupi).
27Bordunas: Clavas, massas, instrumento de guerra primitivo feito de pesada
28Curumim: Menino, garoto (Tupi).
29Cunhã-tecoímas: As Ycamiabas, as
30palmito.
31Jacy: A deusa Lua, a lua para os povos Tupi.
32Manuçawá: A morte (Tupi).
33Mundurucu: Povo de
34Potira: Pétala, flor (Tupi).
35Tuíra: Pálido, branco, sem cor, anêmico (Nheengatú).
36Urupé-una: Urupé= espécie de cogumelo na forma de orelha-de-pau muito
37terra escura (Tupi).