
A literatura e o mal
By Georges Bataille, Fernando ScheibeLength7h 30m
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Ainda que a literatura, como questão e prática, atravesse toda sua obra, é em A literatura e o mal que Georges Bataille se empenha de maneira mais explícita na busca de seu sentido – ou de seu não-sentido –, afirmando desde o princípio que ela "é o essencial ou não é nada". E se essa essencialidade se acha vinculada ao mal é porque, sem atormentar o bem e a virtude (como acontece em Sade), ou santificar o mal por desejá-lo como bem (como se dá em Genet), a literatura se torna insípida, destituída de interesse. Para Bataille isso já está dado na infância, quando as disposições do indivíduo se mostram soberanas, na recusa de tudo aquilo que, por meio do cálculo e da razão normativa, pretende regular o desejo e o dispêndio. Assim, a literatura deve confessar sua culpa, já que é "a infância reencontrada". Há dois fins primordiais que a humanidade persegue, a rigor inconciliáveis: o primeiro, ligado à ideia do bem e da moral, é a conservação da vida a todo custo; o segundo, que Bataille associa ao mal e a uma hipermoral, é o aumento de sua intensidade: "a aprovação da vida até na morte". Perseverando em favor do segundo, a literatura se realiza como atividade inoperante no extremo do possível e do perigo, levando, não raras vezes, personagens e escritores à ruína. Neste livro magistral, Bataille analisa, ou, antes, potencializa as obras de oito autores que de um modo ou de outro são atravessadas pelo mal, para dar a ver em cores vivas a radicalidade de seu próprio pensamento.
Contador Borges
Audiobook details
Rating★★★★ 4.4 (551)
Includes Amazon, LibraryThing, Goodreads, StoryGraph
GenreLiterary Classics
Length7 hrs 30 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
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Publish dateMay 18, 2017
LanguagePortuguese
Table of contents
1Introduction
2Nota do tradutor
3Preâmbulo
4Emily Brontë
5O erotismo é a aprovação da vida até na morte
Mostrar todos os capítulosVer menos
6A infância, a razão e o Mal
7Emily Brontë e a transgressão
8A literatura, a liberdade e a experiência mística
9A significação do Mal
10Baudelaire
11O homem não pode se amar até o fim se não se condena
12O mundo prosaico da atividade e o mundo da poesia
13A poesia é sempre, em certo sentido, um contrário da poesia
14Baudelaire e a estátua do impossível
15A significação histórica de As flores do mal
16Apêndice ao capítulo sobre Baudelaire
17Michelet
18O sacrifício
19O malefício e a missa negra
20O Bem, o Mal, o valor e a vida de Michelet
21William Blake
22A vida e a obra de William Blake
23A soberania da poesia
24A mitologia de Blake interpretada pela psicanálise de Jung
25A luz lançada sobre o Mal: O casamento do Céu e do Inferno
26Blake e a Revolução Francesa
27Apêndice ao capítulo sobre William Blake
28Sade
29Sade e a Tomada da Bastilha
30A vontade de destruição de si
31O pensamento de Sade
32O frenesi sádico
33Do desencadeamento à consciência clara
34A poesia do destino de Sade
35Apêndice ao capítulo sobre Sade
36Proust
37O amor pela verdade e pela justiça e o socialismo de Marcel Proust
38A moral ligada à transgressão da lei moral
39O gozo fundado no sentido criminoso do erotismo
40Justiça, verdade e paixão
41Apêndice ao capítulo sobre Proust
42Kafka
43É preciso queimar Kafka?
44Kafka, a terra prometida e a sociedade revolucionária
45A perfeita puerilidade de Kafka
46A manutenção da situação infantil
47O universo alegre de Franz Kafka
48A feliz exuberância da criança se reencontra no movimento de liberdade soberana da morte
49Justificação da hostilidade dos comunistas
50Mas o próprio Kafka concorda