
Length4h 33m
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REPRESENTAÇÃO SACRIFICIAL DE UMA EXPERIÊNCIA LABIRINTICA O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós. Jean-Paul Sartre Quando Evan do Carmo me enviou o seu livro, nada disse de seu teor. Tampouco de seu gênero. De imediato surgiram alguns enigmas: Que labirinto é esse? Do que trata estas emoções? Ao abri-lo percebi que se tratava de um romance e logo veio a vontade de folheá-lo. Afinal, se não grande conhecedor de sua obra, mas insuspeito admirador de sua escrita não titubeei, alvorocei-me a devorar o livro, ou melhor, estrangulá-lo o mais depressa possível, com a sanha de uma esfinge diante do peregrino sem a devida resposta. De pronto percebi que a estrutura labiríntica criada por Evan do Carmo não teria por cenário o Palácio de Cnossos, mas a cidade do Rio de Janeiro, em um período de pós-guerra bastante significativo. E não traria como personagens principais Perseu e Ariadne, mas homens e mulheres de carne e osso, de memórias e esquecimentos, cujas histórias são construídas em um longo fio de existência, constituídas em lastros de afetos familiares em que a cada descoberta há uma representação sacrificial, não ao monstro minotauro, mas ao próprio existir humano. A narrativa construída por Evan do Carmo adquire aspecto dramático, embora guarde uma tonalidade sensível de colo maternal. É esta a característica primordial (e principal) exaltada (ou seria pincelada?) neste Labirinto Emocional. As personagens evanianas dão-se-conta de suas próprias existências em uma expericiação diária com suas emoções mais internas e intrínsecas, com suas faltas e carências, com seus sonhos e anseios, em uma transmutação experiencial de-ser-no-mundo vinculados entre si em um indissociável existir de-ser-em-si e de ser-para-si, em uma relação dialógica de Eu-Isso e Eu-Tu, tendo o amor por essência e a angústia por contingência. Os meandros vivenciados por cada personagem, seja em grandes feitos ou em gestos simples e contenciosos, possuem motivações a mais para ler o livro. Pois ler o Labirinto Emocional, de Evan do Carmo, é um reviver constante. Uma experiência afetiva ininterrupta. Como se estivéssemos percorrendo os labirintos de Creta, e, diante do grande monstro de Minos/Vida nos sentíssemos como se fossemos Teseu/Walter sem o fio condutor de sua amada Ariadne/Beatriz. Cada passo dado é um salto ao inesperado. Um se lançar ao vazio do existir tão bem conhecido e não menos desesperadamente negado. Já no primeiro capítulo fui apresentado a um eu-lírico que me dizia a que veio. Com extremo cuidado ele tece o seu longo fio de Ariadne e aponta a saída, quando diz: "Não sou literato, na verdade nem gosto dos literatos, eles têm maldades disfarçadas, são cruéis ao extremo e são manipulados por um espírito egoísta e arrogante, acham que sempre têm a razão, ou que sempre têm a melhor opção ou saída para qualquer eventualidade, que sabem explicar tudo e dominar qualquer assunto −, sobretudo quando se trata de sentimentos envolvendo as relações humanas." Os temas fundamentais (e recorrentes) tratados por Evan do Carmo, em seu Labirinto Emocional, é o amor e a solidão. O vazio e a loucura. Dor e a saudade. Resiliência e obstinação. Empatia e alteridade. Melancolia e esperança. A cada entrelaçar de vida (e de emoções) se percebe uma 'silenciosa abertura' ao que Frayze-Pereira entende como 'ao que não é nós e que em nós se faz dizer.' Embora não apresente um olhar mais aprofundado das coisas, dos lugares e das pessoas, Evan do Carmo indica/sugere os conteúdos mais implícito de suas personagens, o que nos garante um aprofundar de nossas próprias percepções emocionais ante os atos comportamentais das personagens. Permitindo-nos uma construção pessoal a partir de nossa singular experiência em interação com o mundo.
Audiobook details
GenreLiterary Classics, General Fiction
Length4 hrs 33 mins
Narrated byListen with 1,000+ voices
FormateBook with Audio
Publish dateJul 5, 2024
LanguagePortuguese
Table of contents
1(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
2não.
3Sou amigo íntimo de Walter, e por isso não cometo
4Mas voltemos ao objetivo deste modesto relato de
5O que despertou esta curiosidade em Walter foi o fato
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6mim mesmo que eu ainda não estava velho demais para
7O pensamento é um dom divino e o nosso bem maior, só
8"Leva meu pranto, meu dissabor / Por isso eu canto para espantar
9— O prazer é todo meu, amigo!
10Naquele dia, por acaso, era o meu aniversário. Eu estava
11Ela era cozinheira de mão cheia, mas não variava o cardápio. A
12Beatriz, mais leve, elas se revezam nesta pesada luta diária...
13A fazenda não ficava muito longe, apenas uma hora de
14— Ele convive muito conosco, é verdade, e é também
15P
16— Obrigado! Eu sabia que podia contar com o senhor.
17Até que um dia aconteceu algo não desejado, mas
18— Concordo.
19A união de duas almas que acham que se amam de verdade
20— Quero terminar o curso de Psicologia, que sempre foi
21A
22estado em que Walter se encontrava, achamos melhor dar-
23— Concordo. Nesta festa, quero brindar ao seu
24Tudo estava perfeito em nossas vidas: a festa foi um grande
25firme nos trilhos de nossos desejos, não notamos muito bem as
26Beatriz. Assim penso que o Armando foi um estágio, um
27Com um plano traiçoeiro, ele mandou matar meu avô.
28— Eles sentem sua falta.
29O Paulinho considerou o pedido da família e aceitou
30Naquela época, as pessoas
31Os filhos: Seus juízos são implacáveis para com os erros